quarta-feira, 2 de abril de 2014

Coletiva: MP fala sobre afastamento de Zé de Amélia

Os promotores do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), Comarca de Juazeiro do Norte, Alessandra Magda Ribeiro, Lucas Azevedo e Silderlândio do Nascimento, falaram a imprensa, em coletiva, na manhã dessa quarta-feira (02), sobre os motivos que levaram ao afastamento ex-presidente da Câmara, vereador José de Amélia Júnior (PSL).

Segundo os promotores a Ação Cautelar, concedida pelo juiz da 2ª Vara Criminal de Juazeiro, Péricles Vitor Galvão de Oliveira, trata, além do afastamento do vereador, das quebras dos sigilos fiscal e bancário. A ação tornou, ainda, indisponível os bens do ex-presidente que é investigado por uma série de crimes contra a administração pública.

Sobre a apreensão de documentos na Câmara Municipal na tarde de segunda-feira (31), a promotora Alessandra Magda destacou a ação conjunta entre os promotores e as polícias Civil e Militar. Sobre a documentação apreendida, a promotora observou que o material está em fase de análise para servir de base para a ação principal.

O promotor Lucas Azevedo chamou a atenção para o que qualificou de gravíssimo. Ele disse que a investigação contra Zé de Amélia e mais grave que a investigação contra o, também, ex-presidente afastado, Antônio de Lunga (PSC). Para exemplificar, o promotor ressaltou que no caso de Lunga os valores das compras foram de cerca de R$ 70 mil; já no caso de Zé de Amélia, os valores podem ultrapassar os R$ 1,5 milhão, somente com material de expediente e limpeza.

A promotora Alessandra Magda, disse que as investigações estão centradas nos aumentos ilegais de salários, existência de funcionários fantasmas e falsificação de contracheques. O vereador afastado é acusado de ordenação de despesa não autorizada por lei, aumento de despesa de pessoal no último ano de mandato, peculato, associação criminosa e falsidade ideológica. Entre os casos já descobertos está um estudante de medicina, filho de um prefeito da Região do Cariri, que recebia sem trabalhar. O nome do prefeito e do estudante não foi revelado.

Foi esclarecido também que o ex-presidente está sendo investigado em quatro ações, sendo três cíveis e uma criminal. E com relação as ações cíveis, negadas pelo juiz da 3ª Vara Cível,  Sávio de Azevedo Bringel, o MPCE já recorreu, através de Recurso de Agravo de Instrumento, ao Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE). Entre as investigações cíveis, por improbidade, está o caso de uma empresa de locação de veículos que não possuía, sequer, um automóvel; além de outro caso de pagamento exorbitante de assessoria jurídica.

Segundo Silderlândio, na ação criminal, de que trata o afastamento, são duas as linhas de investigação; uma em ralação aos aumentos, sem autorização legal, feito por meio de despacho administrativo; e outra no aumento no número de empréstimos consignados coincidentes aos aumentos dos salários.

Um dos fatos novos, ressaltado pelos promotores, é que os funcionários envolvidos na fraude dos super salários, devem ser penalizados a devolver o excedente recebido aos cofres públicos. Segundo os promotores a investigação deve entrar na fase de oitivas e o objetivo é concluir os trabalhos num prazo máximo de 90 dias.

Desabafo:

Durante a coletiva de imprensa, os promotores ressaltaram o trabalho conjunto entre promotoria e polícias, e acabaram fazendo um desabafo sobre a atual situação estrutural do MPCE em Juazeiro do Norte. O promotor Silderlândio do Nascimento definiu o trabalho na promotoria como improvisado.

O promotor Silderlândio falou da carência de pessoal técnico, o que, segundo ele, acaba por prejudicar os trabalhos da promotoria. Ele falou, ainda, do grande volume de denúncias e da sobrecarga dos profissionais que atuam de feriados à finais de semana. Tudo para dar celeridade as denúncias recebidas.

No desabafo, Silderlândio disse que ao falar em promotoria é bom levar em conta que ela é apenas o promotor. Sobre a importância do trabalho, o promotor ressaltou a vitória com a derrubada da PEC 37, que pretendia tirar do MP o poder investigativo. Para o promotor a derrubada da PEC 37 foi uma vitória da sociedade.

(Foto: Chinês/Agência Miséria)

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